31-12-1969 21:00

Estudantes de Gaza voltam às escolas danificadas pela guerra no início do ano letivo
Estudantes de Gaza voltaram às escolas neste final de semana, no início do novo ano letivo.
Muitos encontraram salas danificadas pela guerra, sem carteiras, livros ou materiais escolares.
Outros passaram a estudar em tendas improvisadas, sobre tapetes e em jornadas reduzidas. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Segundo o Ministério da Educação palestino, cerca de 541 mil estudantes de Gaza retornaram às aulas no sábado (19).
A retomada ocorre depois de um longo período de interrupção provocado pelo conflito entre Israel e o Hamas, e em meio à destruição de grande parte da infraestrutura educacional. Em Nuseirat, como reportado pela agência de notícias Reuters, crianças participaram de uma assembleia pela manhã e cantaram antes das aulas.
Em uma das escolas, estudantes precisaram se sentar no chão.
Professores também improvisaram espaços para receber as turmas.
“Antes da guerra, tínhamos capacidade, carteiras, livros e materiais escolares.
Hoje, sentimos falta das coisas mais simples”, afirmou a professora Raja Al-Nabahin.
Segundo ela, ainda são necessários livros, cadernos e outros materiais para compensar o que os estudantes perderam durante o período em que ficaram afastados das escolas. Estudantes palestinos participam do primeiro dia de novo ano letivo dentro de uma tenda em uma escola em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, em 19 de setembro de 2026. REUTERS/Ramadan Abed Em Khan Yunis, parte dos alunos passou a estudar em tendas.
Moayed Abu Mustafa, estudante ouvido pela agência de notícias, disse que não frequentava uma escola havia três anos.
Ele contou que as aulas agora acontecem sem assentos e em tendas com pouca ventilação. “Também perdemos nossos amigos [durante a guerra], estamos aqui sozinhos.
Não temos roupas boas, não temos nada, nem mesmo sapatos bons.
O material escolar, que antes da guerra era barato, agora é caro.
Não temos cadernos nem lápis, nada relacionado à escola, e apesar de tudo isso, vamos aprender, vamos aprender mesmo em uma tenda”, disse Mustafa.
Prédio desaba em Gaza após ataque e deixa dezenas de mortos Segundo Mustafa, antes da guerra, os estudantes passavam cerca de seis horas por dia na escola.
Agora, o planejamento prevê aulas de três horas em dias alternados. Segurança preocupa A guerra provocou danos severos ao sistema de ensino na Faixa de Gaza.
Segundo autoridades do Ministério da Educação do território, cerca de 22 mil estudantes e mais de 770 trabalhadores do setor educacional morreram durante o conflito.
Entre os profissionais mortos estão 532 professores.
Os dados foram divulgados por autoridades do Ministério da Educação de Gaza. "Queremos que nossos filhos vivam como as outras crianças do mundo.
O caminho até a escola é longo; antes usávamos transporte, mas agora não há como garantir a segurança do meu filho no trajeto.
Quando ele sai para a escola, peço a Deus que o proteja.
Tenho medo porque a guerra ainda não acabou e ainda há pessoas sendo alvejadas, o que significa que meu filho e minha filha podem ser atingidos por estilhaços no caminho para a escola”, relata uma mãe.
Mais de 85% dos prédios de escolas públicas estão fora de operação no retorno às aulas, de acordo com o ministério.
Alguns foram completamente destruídos.
Outras escolas ficam em áreas próximas à chamada ‘linha amarela’, uma zona delimitada durante o conflito e que não pode ser usada para atividades educacionais. Estudantes de Gaza em uma tenda improvisada usada como sala de aula Reprodução Reuters | Mahmoud Issa e Haseeb Alwazeer "Existem muitos obstáculos para retomar o sistema educacional.
Como vocês sabem, os alunos estão estudando em tendas porque a maioria dos prédios foi danificada ou o que restou está cheio de pessoas deslocadas.
Entendemos isso, mas, passo a passo, ofereceremos uma vida digna para as pessoas deslocadas para que possamos recuperar nossas escolas e revitalizá-las”, contou Tawfiq Al-Hourani, representante da área de educação da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA). Segundo Al-Hourani, a recuperação das escolas ocorrerá de forma gradual, à medida que os prédios deixem de ser usados por pessoas deslocada.
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